Faz algum tempo, comecei uma jornada completamente diferente na minha vida.
Até então era sempre o mesmo, linha reta, sempre em frente, mesmo compasso.
E então a oportunidade bateu a porta.
Um processo de conhecimento interior profundo.
Lembro-me bem de ter passado alguns problemas àquele ano. Acabara de desistir dos estudos, perder o emprego, arruinar um namoro com a garota perfeita, além de brigas, sangue e lágrimas que não cabem serem expostas aqui. Um ano que ficará marcado na minha mente durante algum tempo.
O auge de minha decadência encontrou uma luz no fim do túnel numa noite turbulenta saía fugido de minha própria casa, sangue na boca e pragas às costas, virei a esquina sem perceber e enquanto meus olhos continuavam presos a lembrança, me choquei fortemente com um amigo que a muito não via.
Ás vezes tudo de que precisamos está logo ali. Uma jornada diferente, uma mudança nos hábitos e pronto, você descobre o que realmente é necessário e o que realmente é necessário descartar.
Houve uma proposta de viagem sem gastos e não me lembro de ter pensado muito sobre o que e como. Se passaram pouco mais de dois dias antes que eu estivesse chegando a uma grande propriedade no interior do estado vizinho. O grande casarão de taco e vidro era tão belo quanto a natureza a volta em que se erguia. Fui abandonado ás portas da propriedade quase inseguro demais para entrar, mas assim que Carlos entrou no carro os portões se abriram e a visão de uma bela jovem me sugou estrada a dentro. Ela falava sobre horários e comida enquanto caminhávamos até o grande casarão. Olhando para trás agora eu não me lembro de mais nada entre vê-la e estar jantando aquela noite. O cheiro daquelas batatas assadas, temperadas no alho com o molho do frango recheado.
E então eu descobri onde estava. Em minha pressa de fugir da realidade acabei num daqueles retiros espirituais. O foco seria nos fazer voltar no tempo e descobrir no nosso passado, coisas que nos ajudassem mudar nosso presente. Pra mim era tudo uma chateação.
Foi um processo intenso e dolorido. Olhar para o passado, muitas vezes pode significar olhar para erros e defeitos próprios, mas fazê-lo também significa Perceber os erros, Aprender com os erros, Mudar e Evoluir.
Um engraçado é que memórias antes esquecidas e enterradas desde então fluem constantemente. Coisas das quais não me lembrava e que agora me revelam bem mais sobre a pessoa que sou hoje e sobre o Homem que quero ser. Percebi quantas vezes errei sem perceber, repetindo desleixos tão facilmente corrigíveis mas que á luz de minha cegueira simplesmente não notava.
Algumas vezes fazer o certo para si mesmo consiste em deixar práticas para trás, coisas, pequenos sentimentos e até mesmo pessoas. Nunca é fácil crescer. Mas é a lei da natureza e aqueles que não conseguem acompanhar o ritmo, geralmente são extintos.
Corra riscos, pense grande, mude, saia da sua zona de conforto e "meta as caras", vale até cometer novos erros!
Afinal, a vida é tão curta e tão bela...
Então, Faça valer a pena!
sábado, 9 de março de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
O Andarilho Do Horizonte
O sol vinha raiando quando o carro parou frente a casa de minha infância. O som das lembranças se moviam incessantemente a volta. O homem no volante, o qual estivera responsável até o dia anterior por mim, dava pequenas instruções sobre o futuro. Nunca seguiria nenhuma daquelas recomendações, mas me lembro de ouvir atentamente cada palavra que ele dizia.
Abri a porta de casa com o mesmo truque que usava desde sempre, e agora aqui vai uma observação deste pobre amador digitando: todos os pais querem ver seus filhos na maioridade seguindo seu caminho, mas irão em diversas situações pedir a Deus para que você volte.
Meu primeiro plano havia sido adiado ao que me parecia.
Meus pais e meu tutor conversaram bastante, não ouvi uma só palavra embora estivesse no mesmo comodo. Estava ouvindo uma musica diferente tocar em minha mente. Mais uma vez, sons inexistentes para a maioria ressoavam em minha mente.
Eram sussurros de promessas; era o ressoar de possibilidades, ecoando em cada canto, como um canto gregoriano numa velha igreja; era um grito de liberdade de um jovem diferente, aqui ao meu lado.
Deixo uma nota para dizer que nenhuma visão ou esperança que eu ali tive foi tão boa quanto a história que se desvelou de então.
O seminário foi uma ótima experiência, não pense que por um só momento que me arrependo de ter entrado naquela van, naquela noite chuvosa. Desde então a noite anterior a uma viagem, seja ela pra bem longe ou talvez nem tão longe, sempre é uma noite de muitos devaneios e poucos descansos. Afinal, a viagem mais longa e mais importante a qual qualquer um de nós pode e deve fazer na vida é aquela que nos leva para dentro, em direção ao passado, ao cerne de nosso ser, bem mais a dentro. Num lugar onde o humano e o divino se encontram e onde todas as verdades esperam ser tangidas.
Nunca se sabe a estrada que o levará a trilhar essa longa jornada. Eu fui para o seminário porque era lá que parte do meu caminho seria trilhado. Se voltei pra casa é porque uma outra parte do caminho deveria ser trilhada aqui, e nunca se sabe onde a próxima parte desse caminho pode se encontrar...
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