Abri a porta de casa com o mesmo truque que usava desde sempre, e agora aqui vai uma observação deste pobre amador digitando: todos os pais querem ver seus filhos na maioridade seguindo seu caminho, mas irão em diversas situações pedir a Deus para que você volte.
Meu primeiro plano havia sido adiado ao que me parecia.
Meus pais e meu tutor conversaram bastante, não ouvi uma só palavra embora estivesse no mesmo comodo. Estava ouvindo uma musica diferente tocar em minha mente. Mais uma vez, sons inexistentes para a maioria ressoavam em minha mente.
Eram sussurros de promessas; era o ressoar de possibilidades, ecoando em cada canto, como um canto gregoriano numa velha igreja; era um grito de liberdade de um jovem diferente, aqui ao meu lado.
Deixo uma nota para dizer que nenhuma visão ou esperança que eu ali tive foi tão boa quanto a história que se desvelou de então.
O seminário foi uma ótima experiência, não pense que por um só momento que me arrependo de ter entrado naquela van, naquela noite chuvosa. Desde então a noite anterior a uma viagem, seja ela pra bem longe ou talvez nem tão longe, sempre é uma noite de muitos devaneios e poucos descansos. Afinal, a viagem mais longa e mais importante a qual qualquer um de nós pode e deve fazer na vida é aquela que nos leva para dentro, em direção ao passado, ao cerne de nosso ser, bem mais a dentro. Num lugar onde o humano e o divino se encontram e onde todas as verdades esperam ser tangidas.
Nunca se sabe a estrada que o levará a trilhar essa longa jornada. Eu fui para o seminário porque era lá que parte do meu caminho seria trilhado. Se voltei pra casa é porque uma outra parte do caminho deveria ser trilhada aqui, e nunca se sabe onde a próxima parte desse caminho pode se encontrar...