Páginas

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um Novo Dia

Passava um pouco das sete da manhã, e nada se movia na casa, nem mesmo o rato de estimação.
Ele se levantou fazendo o máximo de silêncio que conseguiu. Era o último dia do ano, não havia dormido nada e mesmo assim, seus olhos continuavam tão ativos e calmos quanto em qualquer dia em que dormira tranquilamente.
Sentou-se na sala. Houvera um sonho antes de acordar, mas esqueceu-o completamente enquanto observava a janela e deixava os pensamentos voarem soltos para o céu.
Sua alma não mais estava na casa ou em qualquer lugar a vista de olhos comuns. Ela agora viajava, entre as lembranças de um futuro incerto e os planos de um passado imutável.
O cansaço de repente o apanhou, e o suspirar foi como uma lufada de vento, levando-o de volta a cadeira na sala, de frente para a televisão desligada.
Ele precisa chegar a uma decisão. Não é permitido a ninguém viver no semi plano de existência que é a terra do "E Se". Um lugar nocivo demais aos Homens. Corrompe-lhes a alma, deturpa a mente e definha o corpo, aos poucos.
É hora de se levantar da cadeira. É hora de fazer a coisa certa.
Ele sabe que a dúvida que sente é apenas o choque entre o que quer fazer e o que ele sente que deve fazer porque os outros querem que ele faça. Mas já tomou sua decisão.
É hora de deixar a opinião alheia de lado. É hora de seguir em frente. Ir onde lhe for necessário. Afinal, é dando os primeiros passos que começamos a longa caminhada para enfim chegar a algum lugar.
E não seria cada novo dia uma nova chance para se fazer direito?
Ele tira o telefone do gancho, ele disca o número gravado depois de tanto ensaiar aquele momento.
Algumas poucas palavras são ditas e ele recoloca o telefone no gancho.
A emoção transborda. Está feito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário