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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Fendas na Estrada

Eu estou cego.
Viajei o suficiente para perceber que nunca vi de fato o que está diante dos meus olhos.
Dor e lágrimas revestem a minha alma,
esse poço vazio atormentado por seus fantasmas.
Eu sinto dor e pesar em casa lembrança
e duvida e medo de descobrir a verdade.
A verdade que não ouso admitir nem mesmo a sós.
As lágrimas irrompem mesmo antes que eu possa freá-las.
E eu estou sozinho.
Andar as cegas por ai finalmente me mostrou a verdade,
e a verdade é que eu estou sozinho.
E eu estou chorando...

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Criança

Lembre-se que nunca é tarde demais para fazer o certo!

Faça o que for preciso para ser feliz, lembre-se que a única coisa que nunca poderá ter é o tempo perdido.


Não desista da jornada pela dificuldade do caminho. O que vale a recompensa, sempre vale a briga!


Sempre que possível utilize o caminho menos utilizado. Geralmente seguir o que os outros fazem só te leva até onde eles chegaram. Vá mais longe! Vá por outro caminho! Ache seu caminho!


E por último, todos sentem medo. Mas cada dia vivo é um presente, não uma herança e nem um direito. Por tanto viva acima de seus medos. Viva acima de suas expectativas e além de seus limites!


Esqueça Suas Expectativas e Abra Mão de Seus Limites...

Essa é minha fórmula da felicidade para você.

- Eu te amo e sempre vou te amar.

sábado, 9 de março de 2013

De Volta Para A Terra Do Nunca

Faz algum tempo, comecei uma jornada completamente diferente na minha vida.
Até então era sempre o mesmo, linha reta, sempre em frente, mesmo compasso.
E então a oportunidade bateu a porta.
Um processo de conhecimento interior profundo.

Lembro-me bem de ter passado alguns problemas àquele ano. Acabara de desistir dos estudos, perder o emprego, arruinar um namoro com a garota perfeita, além de brigas, sangue e lágrimas que não cabem serem expostas aqui. Um ano que ficará marcado na minha mente durante algum tempo.

O auge de minha decadência encontrou uma luz no fim do túnel numa noite turbulenta saía fugido de minha própria casa, sangue na boca e pragas às costas, virei a esquina sem perceber e enquanto meus olhos continuavam presos a lembrança, me choquei fortemente com um amigo que a muito não via.

Ás vezes tudo de que precisamos está logo ali. Uma jornada diferente, uma mudança nos hábitos e pronto, você descobre o que realmente é necessário e o que realmente é necessário descartar.

Houve uma proposta de viagem sem gastos e não me lembro de ter pensado muito sobre o que e como. Se passaram pouco mais de dois dias antes que eu estivesse chegando a uma grande propriedade no interior do estado vizinho. O grande casarão de taco e vidro era tão belo quanto a natureza a volta em que se erguia. Fui abandonado ás portas da propriedade quase inseguro demais para entrar, mas assim que Carlos entrou no carro os portões se abriram e a visão de uma bela jovem me sugou estrada a dentro. Ela falava sobre horários e comida enquanto caminhávamos até o grande casarão. Olhando para trás agora eu não me lembro de mais nada entre vê-la e estar jantando aquela noite. O cheiro daquelas batatas assadas, temperadas no alho com o molho do frango recheado.
E então eu descobri onde estava. Em minha pressa de fugir da realidade acabei num daqueles retiros espirituais. O foco seria nos fazer voltar no tempo e descobrir no nosso passado, coisas que nos ajudassem mudar nosso presente. Pra mim era tudo uma chateação.

Foi um processo intenso e dolorido. Olhar para o passado, muitas vezes pode significar olhar para erros e defeitos próprios, mas fazê-lo também significa Perceber os erros, Aprender com os erros, Mudar e Evoluir.

Um engraçado é que memórias antes esquecidas e enterradas desde então fluem constantemente. Coisas das quais não me lembrava e que agora me revelam bem mais sobre a pessoa que sou hoje e sobre o Homem que quero ser. Percebi quantas vezes errei sem perceber, repetindo desleixos tão facilmente corrigíveis mas que á luz de minha cegueira simplesmente não notava.

Algumas vezes fazer o certo para si mesmo consiste em deixar práticas para trás, coisas, pequenos sentimentos e até mesmo pessoas. Nunca é fácil crescer. Mas é a lei da natureza e aqueles que não conseguem acompanhar o ritmo, geralmente são extintos.

Corra riscos, pense grande, mude, saia da sua zona de conforto e "meta as caras", vale até cometer novos erros! 
Afinal, a vida é tão curta e tão bela... 
Então, Faça valer a pena!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O Andarilho Do Horizonte

O sol vinha raiando quando o carro parou frente a casa de minha infância. O som das lembranças se moviam incessantemente a volta. O homem no volante, o qual estivera responsável até o dia anterior por mim, dava pequenas instruções sobre o futuro. Nunca seguiria nenhuma daquelas recomendações, mas me lembro de ouvir atentamente cada palavra que ele dizia.

Abri a porta de casa com o mesmo truque que usava desde sempre, e agora aqui vai uma observação deste pobre amador digitando: todos os pais querem ver seus filhos na maioridade seguindo seu caminho, mas irão em diversas situações pedir a Deus para que você volte.

Meu primeiro plano havia sido adiado ao que me parecia.
Meus pais e meu tutor conversaram bastante, não ouvi uma só palavra embora estivesse no mesmo comodo. Estava ouvindo uma musica diferente tocar em minha mente. Mais uma vez, sons inexistentes para a maioria ressoavam em minha mente.
Eram sussurros de promessas; era o ressoar de possibilidades, ecoando em cada canto, como um canto gregoriano numa velha igreja; era um grito de liberdade de um jovem diferente, aqui ao meu lado.
Deixo uma nota para dizer que nenhuma visão ou esperança que eu ali tive foi tão boa quanto a história que se desvelou de então.

O seminário foi uma ótima experiência, não pense que por um só momento que me arrependo de ter entrado naquela van, naquela noite chuvosa. Desde então a noite anterior a uma viagem, seja ela pra bem longe ou talvez nem tão longe, sempre é uma noite de muitos devaneios e poucos descansos. Afinal, a viagem mais longa e mais importante a qual qualquer um de nós pode e deve fazer na vida é aquela que nos leva para dentro, em direção ao passado, ao cerne de nosso ser, bem mais a dentro. Num lugar onde o humano e o divino se encontram e onde todas as verdades esperam ser tangidas.

Nunca se sabe a estrada que o levará a trilhar essa longa jornada. Eu fui para o seminário porque era lá que parte do meu caminho seria trilhado. Se voltei pra casa é porque uma outra parte do caminho deveria ser trilhada aqui, e nunca se sabe onde a próxima parte desse caminho pode se encontrar...

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Por Enquanto No Entanto

"E ele foi feliz..."
É essa a frase com a qual eu gostaria de começar esta postagem. Mas não é tão fácil. E não nos iludimos quanto a isso.
Desde que retornou, raras foram as ocasiões nas quais não sentiu falta da Estrada. Da liberdade que Ela representava. De como Nela tudo parecia possível. De como Nela o Destino parecia uma folha em branco e de como era sempre sentir que escreveria tudo quanto quisesse, e com Lápis, e que sempre haveria uma borracha a mão.
Porém certas noites, como esta na qual estas palavras são escritas, quando a chuva cai lá fora e o silêncio e a escuridão são as únicas companhias, o som do Futuro cada vez mais próximo se torna mais nítido. As incertezas e inseguranças se debatem furiosamente na boca do estômago enquanto alguns poucos raios de luz de esperança e de fé lutam entre nuvens negras pelo direito de iluminar.
Quase um ano se passou. E mais uma vez errou. O grito inaudível de culpa e arrependimento o consome por dentro. E mesmo assim, coisas boas, pequenos fatos felizes e talvez até milagres fazem-no perguntar porque com tantos erros ainda sim mereça tamanho presente da vida, quando na verdade tudo o que merecia não fosse nada melhor do que um soco no nariz.
É como está escrito. Pequenos raios de esperança realmente ainda brilham lá no fundo em algum lugar. Em algum lugar ainda acredita que haja uma forma de tudo terminar bem. É o motivo de conseguir se levantar todos os dias da cama, é o que dá força para conseguir sorrir e disfarçar a feiura da tristeza a qual ninguém quer ver e não precisa ser mostrada.
Talvez em algum momento volte para contar também das coisas boas e de todos os belos fatos que também tem ocorrido, mas por enquanto...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Vem de Dentro

Uma aura de paz reinava sobre os túmulos em volta enquanto a neblina daquela manhã se dissipava. O cemitério e boa parte do terreno onde me encontrava era bem arborizado.
Paisagens assim sempre me trouxeram alívio, tranquilidade e uma estranha sensação de volta para casa.
Em lugares assim, me volto para dentro de mim mesmo. Para um lugar que na correria do dia a dia, as vezes parece inexistente. É nesse lugar que as minhas decisões mais difíceis são tomadas. 

E ali, frente ao túmulo de um homem, cuja fama e o caráter só ouvi falar, tento me aquietar e escutar a resposta que vem de dentro.
Ela ecoa nas paredes do meu âmago, tentando desesperadamente ser ouvida em meio a um conflito interminável ocorrendo logo acima entre o que há de mais divino em mim, e o que há de mais humano. Ambos brigam numa discussão acirrada, cada um com grandes argumentos... 



Mas é lá no fundo que está a voz que quero escutar. Aquela que se revela fácil frente a um pedido de ajuda daqueles que mais amo. Aquela que é a única a gritar a coisa certa quando minha razão e meus sentimentos correm um para cada lado.
Alguns chamam essa voz de Deus. Outras a chamam de Razão.
Eu a chamo de Eu Mesmo.
Em meio a todos os ideais do mundo e todas as verdades que me são impostas, no meio de toda a confusão do dia a dia, é por essa voz que percebo Quem Sou Eu.
E esse Eu, é aquele que nunca deve desaparecer. É quem vai sempre julgar o que Deve entrar e o que Deve ser rejeitado. É quem vai pensar quando houver algo de muito importante a decidir, e não souber que resposta dar.



Começou com uma conversa num escritório. Uma pergunta, duas opções. A dúvida posta entre as duas opções produz uma pequena reação química que reage criando a vontade de sair para andar. Simples assim.
Os pés se movem sozinhos, o pensamento voa, o corpo se desloca, e sem perceber como, me encontro frente a um túmulo no cemitério da propriedade.
É então, neste lugar, que finalmente me acalmo. Procuro com a mão o cordão no meu pescoço. O cordão no meu peito é um símbolo. Embora todos sempre olhem para os vários pingentes que passam por ele, sempre foi a corrente que me importou.

Encontro a voz entre os gritos e protestos.
Já não há dúvidas, sei qual caminho percorrer. Embora ambos fossem bons e necessários para mim, é hora de escolher de que lado andar.
Desço a pequena colina e vasculho a casa. É hora de dar minha resposta e só uma pessoa precisa ouvi-la.
A resposta é ouvida, é debatida, é contra argumentada.
Por fim, como todos os outros, o outro percebe que quando chego a uma resposta, não volto atrás. Eu bato a porta ao passar e sinto um pouco de remorso misturado ao alívio de ter conseguido dizer.

O dia mal começa, entro no carro, e não olho para trás.
Não penso duas vezes no que deixo para trás, sei que voltaria se pensasse.
O longo caminho para casa é pontuado de pensamentos sobre o que está por vir...
E como sempre, tudo o que penso, em breve, será pequeno diante do que realmente virá.
E além das colinas e montanhas, segue a estrada, enquanto s
igo meu caminho de volta para casa.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um Novo Dia

Passava um pouco das sete da manhã, e nada se movia na casa, nem mesmo o rato de estimação.
Ele se levantou fazendo o máximo de silêncio que conseguiu. Era o último dia do ano, não havia dormido nada e mesmo assim, seus olhos continuavam tão ativos e calmos quanto em qualquer dia em que dormira tranquilamente.
Sentou-se na sala. Houvera um sonho antes de acordar, mas esqueceu-o completamente enquanto observava a janela e deixava os pensamentos voarem soltos para o céu.
Sua alma não mais estava na casa ou em qualquer lugar a vista de olhos comuns. Ela agora viajava, entre as lembranças de um futuro incerto e os planos de um passado imutável.
O cansaço de repente o apanhou, e o suspirar foi como uma lufada de vento, levando-o de volta a cadeira na sala, de frente para a televisão desligada.
Ele precisa chegar a uma decisão. Não é permitido a ninguém viver no semi plano de existência que é a terra do "E Se". Um lugar nocivo demais aos Homens. Corrompe-lhes a alma, deturpa a mente e definha o corpo, aos poucos.
É hora de se levantar da cadeira. É hora de fazer a coisa certa.
Ele sabe que a dúvida que sente é apenas o choque entre o que quer fazer e o que ele sente que deve fazer porque os outros querem que ele faça. Mas já tomou sua decisão.
É hora de deixar a opinião alheia de lado. É hora de seguir em frente. Ir onde lhe for necessário. Afinal, é dando os primeiros passos que começamos a longa caminhada para enfim chegar a algum lugar.
E não seria cada novo dia uma nova chance para se fazer direito?
Ele tira o telefone do gancho, ele disca o número gravado depois de tanto ensaiar aquele momento.
Algumas poucas palavras são ditas e ele recoloca o telefone no gancho.
A emoção transborda. Está feito.